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Wednesday, 29 July 2009

sofreguidão


Eu posso me lembrar
daquelas palavras....
Eram como pérolas preciosas
perdidas em alto mar!

... E eu nunca as tive,
nem sinceras nem falsas
e não há nada que justifique
esta grande falta!

No silêncio sôfrego,
guardo os lindos versos que te fiz
e no armago de cada fôlego,
eu sofro por te ver partir...

Wednesday, 15 July 2009

asas


Certa noite eu sonhei
que ao invés de braços
eu tinha asas para alcançar
a liberdade sem árduos passos!

À imensidão me atirei
como inócua ave de rapina
e esqueci-me q’outrora nunca voei
e cai, cai à minha sina...

Respirei fundo naquela noite
e apenas entreouvi minh’alma inquieta
que tanto deseja a liberdade completa,
mas está tal como um pássaro numa gaiola!

Saturday, 21 February 2009

dias sem sol


Perguntam-me porque
não vejo o sol aparecer
é que o calor aumenta a saudade
que eu sinto por você.

O meu coração está gelado
porque não estás ao meu lado
Os meus sonhos se tornaram pó
e na vida estou só...

Se não voltas para mim
não quero voltar a olhar o sol
pois eu só quero q'os nossos beijos
voltem a colorir o arrebol!

Se sozinha eu chegar ao fim da estrada,
por favor, não negues que eu te amei
pois eu não tive mais nada
além do amor que eu te dei.

Thursday, 1 January 2009

Confusa


Não sei bem o quanto
que sinto a falta de tanto...
Algo, alguém, por quê?
Eu quero sabe-se lá o quê.

Ali, acolá, olho lá…
Aquilo já se foi…
Então olho pra cá,
a pior solidão é a dois.

Thursday, 11 December 2008

meu Brasil...


estou absorta,
entranhada pelo frio,
até pareço uma morta
De causar alguns arrepios

O que me faz sentir esse frio
na pele e no âmago da alma?
São as lembranças de quem partiu,
e a nostalgia que rouba a calma;

Fecho os olhos e ouço os canto dos pássaros,
aos poucos, invandirem este espaço vazio...
Minha terra de mar e sol que acolhe-me em seu regaço,
Ah, quantas saudades eu tenho do meu imenso Brasil!

Monday, 1 December 2008

beijos e saudades


Ai, quantos desejos
Invadem-me à mente
São as lembranças dos teus beijos
Que me deixam demente.

Teus beijos todas as manhãs eu quero
De falsidade ou de amor,
Que me importa? Seja o que for,
O mundo passa e eu te espero.

E nesta tarde que não quer ser pôr
Tua boca eu queria na minha
Passo horas lembrando o sabor
Que o teu doce beijo tinha...

Thursday, 27 November 2008

laços do fado meu



Tem-me uma imensa predileção,
até nesta tarde que me enfara,
nunca abandona, pois, o meu coração,
e a noite, calma vem, e o ampara.

Sou a que na vida anda sozinha
com o silêncio q'ao meu ouvido definha,
mas relutante já não sou ao meu fado,
deixei-o me abraçar e andar ao meu lado.

Meu pútrido cérebro, funesto,
figura uma óbice à paz,
não me há, então, escape capaz
para libertar meu âmago abjeto,
repleno de apatia e ingratidão,
dos lângüidos laços da solidão.

Saturday, 22 November 2008

solidão


Acalanta a inquieta alma
Nos brandos braços da paixão
E do ocaso derradeiro à calma,
Teu beijo é o que faz ao meu coração.

A solidão que definha
Nasce da demente alegria;
Do calor confortante dos teus braços,
À fria distância que desfaz nossos laços.

Monday, 10 November 2008

doce alegria

É como sentir o coração cair
em direção ao abismo.
- No desespero, o sorrir -
Dor escondida no cinismo.

Um renhido siso,
tão afável e verdadeiro,
engana este momento derradeiro,
- não há lágrimas quando delas mais preciso -

Thursday, 6 November 2008

carência


Sem luz meu coração estaria
Se fosse uma débil vela,
Pois teu desdém apagaria
Toda magia que há nela.

Mas sou uma ingênua menina,
Que leva no peito um único desejo;
Sentir o sabor do teu beijo
no brando canto da matina...

Wednesday, 5 November 2008

Erro


O fracasso,
- da egolatria à humilhação -
Deitar o orgulho no regaço,
é pior que perder a visão...

Erros análogos, quanta desdita...
A burrice é intrínseca ao homem;
- Racionalidade e dita -
quanto mais se anela, fogem.

Monday, 3 November 2008

desejo vil


Chama que imepele o desdém
À mais profunda inconsciência,
A despertar, pois, a demência
da razão ao requiém...

É o mal esconso num inócuo beijo,
Repleto de tenuidade
Que enleva a alma à felicidade
Ao fartar o desejo!

- Da paixão à solidão -
Resta apenas assitir:
aos desejos mesquinhos que se vão..
E outros no íntimo sugir!

realidade

Tuesday, 21 October 2008

Desespero



Tenho vivido num desdém imenso,
Às vezes palavras até me faltam
Pois as aferro em meu âmago tenso,
São tristes omissões que me matam...

Lentamente como um sádico assassino,
Sinto-me postergada pela vida,
Longínquo até oiço os malditos tinos,
Dos que me agora têm por maldita...

Funesto seja aquele dia que m'entreguei,
Quiçá à pessoa errada, quanta desdita,
Agora pagas tu com esta dor desmerecida...
Alhures choras por mim, por que o magoei?

Monday, 18 August 2008

Exagero


Se eu pudesse o céu pintar
com os pincéis da minha amargura;
A terra pousaria num eterno arfar
e todos sentiriam minha lúgubre candura;

Em meu âmago já não há espaço à dor
mas querer o céu é apenas demasia...
Para quê pintar o mundo com langor
Se mais fácil é borrar minha poesia?...

Sunday, 17 August 2008

Feliz eu era


Vazio é não ter quem amar,
sentir o sabor do beijo sonhado;
E quando em desespero acordar
Não ter ninguém ao lado...

– Quem me dera nunca ter amado,
E sentido o prazer de ter companhia,
Nem tudo é rosa, nem fantasia...
Até o mais doce mel se torna amargo! –

Monday, 12 May 2008

Chorar


Às vezes chorar faz bem,
Pois de certa forma liberta a alma;
Torna-a mais leve também,
e no meio do nada, nos acalma.

Mas quando não choramos,
com o peito amargo ficamos.
É como se nada mais nos restasse,
nenhum alívio, nenhum escape...

Por isso chore, amigo meu...
E das lágrimas não se intimide,
Deixa-as brotar do seu íntimo humilde,
Ora, não as guarde com orgulho, feito eu.

Escrito por Marcelle Castro

Wednesday, 9 April 2008

Falsa fantasia


Quero tanto falar e não consigo
É como s’eu nunca tivesse tido
Voz que me permitisse contar
Sobre meu medo de caminhar...

(Ai, esta escrita que contesta!)

O que seria de mim sem a poesia
Para exprimir o abismo que guardo no peito?
Estas lágrimas são meu único defeito,
Pois denunciam minha falsa fantasia

(Em noites como esta.)

Escrito por Marcelle Castro

Sunday, 26 August 2007

As asas q'eu queria


Ah! Quem me dera s’eu tivesse asas
E para longe das dores minh’alma singrasse,
Assim quando a soturna noite despontasse
Deixaria ao fundo amarguras que me são fadadas!...

As asas que anseio seriam guiadas pelo teu amor
O mesmo que senti ao estar deitada em teu seio
Embalada nos teus braços a tomar-me por enleio!
Quem me dera voar de novo e esquecer a vida de langor!

Ah! Quem me dera se minhas poesias tristes
Pudessem tornar meu sonho em verdade fremente!
Ah! Quem me dera se a ti eu tivesse novamente,
E não idealizasse asas para estar onde ristes!


Escrito por Marcelle Castro